25 de fevereiro de 2024

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Via (VIIA3), Magalu (MGLU3) e Americanas (AMER3): proximidade entre Black Friday e Copa do Mundo representa desafio para varejistas

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Proximidade entre eventos pode apertar orçamento das pessoas e diminui visibilidade sobre previsões de vendas

A Copa do Mundo costuma ser um gatilho positivo para a performance das companhias de varejo, principalmente por conta da venda de televisores e artigos esportivos, com as pessoas querendo ver os jogos em melhor qualidade e usando o uniforme da seleção. Neste ano, porém, ao contrário de edições anteriores, o evento esportivo será no quarto trimestre e coincidirá com outras datas importantes, podendo se tornar uma adversidade para o setor.

De acordo com a XP Investimentos, que acompanhou eventos e palestras voltadas aos empresários do comércio eletrônico, foi observado certo temor com a sobreposição da Copa do Mundo com a Black Friday e também com a proximidade das festas de fim de ano.

Nas teleconferências de resultados do segundo trimestre, quando indagados sobre as perspectivas para o final do ano, uma expressão se tornou constante entre os executivos de empresas como a Magazine Luiza (MGLU3), Via (VIIA3) e Americanas (AMER3): “cautelosamente otimistas”.

“A Copa deste ano acontecerá no quarto trimestre, o mais forte para o varejo devido às festas de fim de ano e principais eventos (por exemplo, Black Friday e Natal). A proximidade aumenta a complexidade das previsões de oferta, demanda e logística”, abre a XP Investimentos, em relatório.

Segundo os analistas da corretora, apesar de o evento esportivo ser normalmente uma alavanca para venda de TVs e artigos esportivos, ele tende também a diminuir o fluxo de clientes nas lojas quando há jogos.

“As vendas ainda não aceleraram tanto e estão abaixo dos níveis de 2018 em aproximadamente 30%, sugerindo que a recuperação ainda pode ocorrer ao longo do terceiro e quarto trimestres, embora potencialmente mitigada pela antecipação do consumo de bens duráveis durante a pandemia, aliada a uma renda disponível ainda apertada”, pontuam Danniela Eiger, Gustavo Senday e Thiago Suedt, especialistas da casa.

Durante a pandemia, o comércio online registrou fortes vendas de eletrônicos – as pessoas, isoladas em casa e pouco gastando com serviços, optaram por comprar novos gadgets, videogames e televisores, adaptando suas opções de lazer e áreas de estar. Ao comparar as vendas online de 2021 e 2021, segundo levantamento da Criteo, o comércio de videogames saltou 412% e o de televisores, 248%.

Além dessa preocupação, a XP destaca ainda que as varejistas temem que as pessoas não consigam gastar tanto no Natal ou na Black Friday, por conta do orçamento direcionado à Copa do Mundo.

“O cenário, para as varejistas, é de incerteza. Além de tudo isso, a circulação de clientes deve ser impactada, dado que os eventos sociais envolvendo os jogos costumam acontecer o dia inteiro, e as entregas rápidas da Black Friday de baixo custo podem ser comprometidas, com horas de trabalho em dia de jogos ajustadas pela metade”, acrescentam.

Os dois primeiros jogos do Brasil no evento acontecem na véspera, ambos, da Black Friday e da Cyber Monday.

Segundo a XP, por fim, as varejistas pretendem distribuir as promoções ao longo dos próximos meses para tentar remediar à questão da proximidade.

“Embora vejamos a sobreposição da Copa do Mundo com a Black Friday como um risco para a demanda, a perspectiva difere entre as categorias”, explicam os analistas.

Para eles, bens duráveis e TVs provavelmente ganharão espaço, bem como o varejo alimentar, com os consumidores realizando mais eventos sociais. Do outro lado, porém,  empresas de consumo discricionário e dependentes da circulação de pessoas devem enfrentar desafios a venda de Black Friday mais espalhada, com orçamento apertado dos consumidores e comemorações de fim de ano, podem mitigar parcialmente o efeito dessa sobreposição.

A XP Investimentos vê Grupo Mateus (GMAT3) e Assaí (ASAI3) como maior beneficiários da Copa do Mundo, enquanto nomes como Magazine Luiza (MGLU3), Via (VIIA3) e Multilaser (MLAS3) podem registrar riscos de alta.

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